Há dias atrás prometi contar as histórias das minhas gatas, e como tinham chegado à minha casa. Tenho 3 gatas, mas vou contar a história de 4, porque a primeira a lá chegar já morreu.
Eu tinha 8 anos, tínhamos acabado de chegar dos Estados Unidos, onde vivemos 2 anos. O meu pai ainda não tinha saído de casa.
A minha mãe saíu para ir à mercearia, e quando voltou, em vez de usar a chave, tocou à campaínha. Não me lembro bem como foi, mas ela tinha uma coisinha preta ao colo, com um ar muito curioso. Eu e o meu irmão ficámos radiantes! Era o nosso primeiro animal de estimação!
Eu, nas minhas fantasias, imaginava que teria um cãozinho pequenino e branco, a quem chamaria Pipoca. E foi o nome que sugeri (tudo a ver, a gata era preta, só mesmo uma pipoca esturricada), e o meu irmão, sempre do contra, achou que PipocaS, era muito mais giro. Sorteámos...e ele ganhou! Bolas.
Abreviando muito esta história, porque a Pipocas viveu 15 anos (quando chegou a casa tinha 1 mês!), posso dizer que ela era má com'ás cobras! Não suportava visitas, achava-se incrivelmente superior, e não se coibia de usar as unhas nos convidados e em nós também! Era interesseira, só ia para o nosso colo se tivesse frio, e só nos ligava quando queria comer!
Mas fora estas coisas, a Pipocas fazia parte de nós, era um membro da família, tinha aquela personalidade independente, mas era uma gata cheia de carácter. Com a idade começou a ficar pachorrenta, com a esterilização, mais gorda e mais meiga. Eu adorava a Pipocas. Era uma caçadora nata. Claro, o que caçava eram moscas, mas era super ágil, e nunca partiu nada, apesar de andar sempre pelo meio dos bibelots.
Um dia, descobrimos que tinha um altinho na barriga, perto da maminhas. Fomos ao veterinário (que já a tinha apelidado de "a gata mais má que por aqui passou"), e o diagnóstico foi: cancro.
Operação, cortizona, antibióticos...
Passadas 3 semanas, o altinho voltou a aparecer. operação novamente estava fora de questão, ela já era velhota, podia não aguentar. Agora, a nossa responsabilidade seria ter o cuidado de ver quando é que ela estava em sofrimento. Quando isto acontecesse...não havia outro remédio. Teria que ser abatida.
Já não me lembro quanto tempo passou, mas houve um dia em que a minha mãe e eu decidimos que chegara a altura. E assim foi. Há dois anos atrás, que a minha Pipocas, a gata mais má que passou pelo veterinário, se foi embora. A casa ficou muito mais vazia (apesar de termos lá outras duas gatas). A manhã não começou com os miados estridentes de fome com que ela nos acordava...
É a lei da vida.
A Pipocas tem um lugar muito especial no meu coração. Merda, já estou a chorar.

